sábado, 18 de janeiro de 2014

Relatório da ONU aumenta certeza de envolvimento humano no aquecimento global

O mundo está esquentando e os cientistas têm quase certeza de que isso é culpa do homem. Segundo o novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática, ligado à ONU), divulgado nesta sexta-feira, as pesquisas mais recentes apontam que existe 95% de certeza do envolvimento humano no aquecimento global. Há seis anos, quando o relatório anterior foi divulgado, a certeza era de 90%. A diferença parece pouca, mas é significativa em termos científicos e sugere que aumentou a precisão dos modelos climáticos usado pelo IPCC, que se esforça em recuperar a credibilidade abalada nos últimos anos.

Os novos modelos climáticos permitiram aos cientistas afinarem as previsões anteriores sobre o quanto a atmosfera terrestre seria sensível ao aumento de dióxido de carbono emitido pelos seres humanos. Como resultado, o IPCC baixou — um pouco — sua previsão de aquecimento global para este século. Enquanto o relatório de 2007 previa que esse aumento na temperatura iria ficar entre 1,1 e 6,4 graus Celsius, o novo relatório afirma que a temperatura deve subir entre 0,3 e 4,8 graus Celsius —  o que está longe de ser tranquilizador. Os cientistas do IPCC também reconhecem que o aquecimento global sofreu uma pausa na última década, mas alertam que o efeito é apenas passageiro, e o mundo deve voltar a esquentar nos próximos anos.

dióxido de carbono
Os cientistas afirmam que é "extremamente provável" que a emissão humana de dióxido de carbono seja responsável por, pelo menos, 50% do aquecimento global registrado desde 1951. O aumento na certeza é fruto do avanço na ciência climática e nos modelos de computador (Thinkstock)

A revisão do modelo não elimina os riscos do aquecimento global. Está mantida a previsão de uma maior quantidade de eventos extremos, como tempestades, furacões e secas. E os cenários para as cidades litorâneas são ainda piores. O relatório de 2007 não levava em conta o derretimento de geleiras na Groenlândia e na Antártica para calcular o aumento no nível do mar, previsto entre 18 e 59 centímetros. Agora, com os modelos mais completos, o IPCC prevê que o nível dos mares vai aumentar entre 26 e 82 centímetros, o que ameaçaria inúmeras cidades costeiras.

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