As negociações para criar as duas maiores reservas marinhas do mundo na Antártida desandaram, com os conservacionistas chamando a Rússia de "delinquente serial" por bloquear um acordo internacional.
Delegados de 24 países e da União Europeia se concentraram nas negociações em Hobart, na Tasmânia, nos últimos 10 dias, no encontro anual da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR, na sigla em inglês) .
Mas as negociações acabaram em frustração para as nações participantes, incluindo a Austrália e os EUA, que propuseram vastas zonas protegidas em torno da Antártica, enquanto a Rússia, Ucrânia e China se recusaram a apoiar esses planos.
Os EUA e a Nova Zelândia propuseram uma área protegida de 1,3 milhão de quilômetros quadrados no Mar de Ross. Um plano separado apresentado pela Austrália, França e a União Europeia teria mantido 1,6 milhão de quilômetros quadrados da Antártida Oriental fora dos limites para a pesca. Para ratificar esses planos, era necessário o consenso entre as nações.
É a terceira vez que as negociações fracassam, durante o último ano, pois as propostas de áreas protegidas não obtiveram um acordo entre as nações que compõem a Comissão. Antes, Rússia e Ucrânia já haviam questionado a legalidade dessas áreas protegidas.
Frustração
"A Rússia e a Ucrânia bloquearam até o fim. Eles queriam abrir mais áreas para a pesca e definir um limite de tempo de proteção de 10 anos. Dado que a mesma quantidade de tempo foi necessária para elaborar o projeto das áreas protegidas, nós iríamos gastar mais tempo planejando as reservas do que protegendo, o que é ridículo", disse.
"Eu acho que os países pró-conservação precisam assumir uma posição e dizer a Rússia que isto é inaceitável. Não há qualquer razão para que nações pesqueiras, como a Austrália, criem zonas protegidas apenas para outras nações pesqueiras bloqueá-las".
As águas da Antártida são o lar de mais de 10 mil espécies diferentes, incluindo a maioria dos pinguins do mundo e de uma rara marlonga (toothfish).
A região é considerada pelos cientistas como vital para a saúde da vida marinha do mundo. Estima-se que três quartos de toda a vida aquática seja sustentada pelas águas ricas em nutrientes do Oceano Antártico, que são transportadas por uma enorme corrente para o hemisfério norte.
A Comissão voltará a se reunir em Hobart em outubro de 2014, embora os ambientalistas não tenham esperança de um resultado melhor.
"O que temos assistido nos últimos anos é a erosão constante do espírito e do mandato da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR) para proteger o último ecossistema intacto do oceano que remanesce na Terra", disse Farah Obaidullah, do Greenpeace.
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